November 8, 2011 por Assespro-MG
Para contribuir com a competitividade do setor da Tecnologia da Informação (TI) em Minas Gerais, através de pesquisas e Inteligência Competitiva (IC) na área de software, a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-MG) executa o projeto Bureau de Inteligência (BI).
No entanto, para compreender o que faz o Bureau é preciso entender primeiro o conceito e as práticas de Inteligência Competitiva, afirmou o doutor em Ciência da Informação pela UFMG/Universidade de Toronto, Canadá, Rodrigo Baroni, que é também um dos responsáveis pelas análises do BI. O profissional informou que IC é uma abordagem sistemática e ética para obter, analisar e disseminar informações do ambiente de negócios. “Ela não deve ser confundida com espionagem industrial que envolve o uso de técnica ilícita para obter informações dos concorrentes. Aliás, é importante destacar que boa parte da IC é feita com informações públicas, pois o diferencial está na capacidade de análise das informações existentes”, esclareceu Baroni.
Sendo assim, o papel do BI é “entregar inteligência” e não apenas informação às empresas mineiras do setor de TI. Para Baroni, muitas vezes, se confunde IC (conceito gerencial) com clipping (produto). E, os produtos de IC, como os que são disponibilizados para os empresários no Bureau, diferem de um clipping, pois não são apenas uma coletânea de notícias, mas sim relatórios executivos que passaram por uma análise prévia de impacto no Arranjo Produtivo Local (APL) de software de Minas, com informações consolidadas sobre tendências no mercado nacional e internacional, monitoração dos movimentos dos principais fornecedores e players de mercado, alterações na legislação que impactam diretamente os negócios e mudanças culturais e comportamentais dos usuários dos produtos e serviços de TI.
“Gosto de dizer que o BI já entrega a análise pronta para o empresário. Estamos na retaguarda de quem decide. A IC é a ante-sala da tomada de decisão. É como deixar ‘a bola na marca do pênalti’ para o empresário de TI. O Bureau aponta os caminhos, as ameaças e oportunidades, mas cabe ao empresário a responsabilidade final pela decisão”, ressaltou.
Além disso, a IC funciona como um radar do ambiente de negócios como um todo para prever mudanças políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e regulatórias, declarou o profissional que é também consultor nas áreas de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento. Dessa forma, permite identificar tendências de comportamento dos consumidores, fornecedores e as possibilidades de fusões entre empresas. Em outras palavras, o objetivo da IC não é fazer a empresa “correr atrás”, mas sim “correr na frente”, antecipando-se às mudanças antes do concorrente. “A área ganhou força depois da crise de 2008, pois algumas empresas que possuíam a IC mais desenvolvida conseguiram se programar melhor para enfrentar a crise, ao contrário de empresas que foram surpreendidas com os fatos”, explicou.
Por meio da implantação do BI, está sendo possível fortalecer a rede de relacionamento entre instituições de ensino superior, empresas e organizações voltadas para o crescimento do setor de TI no Estado. Baroni disse, ainda, que as empresas do Arranjo Produtivo Local (APL) de software, desde o início de 2010, estão tendo acesso a informações essenciais para seu posicionamento no mercado, desenvolvimento de seus projetos e operações, e para a comercialização de produtos e serviços em mercados nacionais e internacionais.
“Com base nas informações e no conhecimento gerado pela sua base de dados e pelo networking com os seus stakeholders, o BI tem o objetivo de ser um centro de desenvolvimento de negócios para o APL de software, que compreende a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e Viçosa”, esclareceu. Segundo ele, com o fortalecimento das redes de relacionamento existentes e a serem implementadas, cerca de 1,3 mil empresas serão beneficiadas, em 35 municípios.
Produtos do BI – Por meio do processo de implantação da atividade de Inteligência Competitiva no APL de Software da Capital, já foram produzidos, até hoje, 18 relatórios do tipo “Radar da Tecnologia da Informação” (mensal), dois do tipo “Alerta da TI” e um do tipo “O Mercado de TI: Perspectivas e Tendências” (anual), sendo estes os primeiros indicadores da atividade, enfatizou Frederico Mafra, que é também responsável pelas análises do BI, além de economista, especialista em marketing, mestre e doutorando em Ciência da Informação. Os documentos podem ser acessados de forma gratuita.
Segundo Mafra, a recepção, por parte dos participantes do APL quanto aos produtos lançados, foi excelente, e os relatórios produzidos já passaram a ser incorporados na rotina decisória dos executivos e profissionais das empresas pertencentes à instituição, logo após as primeiras publicações.
Além dos participantes do APL de software de Belo Horizonte, Mafra afirmou que a própria diretoria da Assespro-MG também tem se utilizado de algumas notícias e análises de inteligência no seu processo de readequação estratégica, tendo sido consideradas como insumo fundamental para antecipação de tendências e/ou fatos que possam impactar o ambiente de negócios do APL de software da Capital e da própria associação, cumprindo efetivamente o papel projetado e esperado para a atividade.
Matéria divulgada na coluna Minas tem TI, do jornal Diário do Comércio.

